construção da escrita na infância e o papel da Educação Infantil no processo de alfabetização
A construção da escrita na infância e o papel da Educação Infantil no processo de alfabetização
Resumo
Este artigo tem como objetivo refletir sobre o processo de construção da escrita pela criança, a partir da minha experiência como professora alfabetizadora, destacando a importância da Educação Infantil como etapa fundamental para o desenvolvimento das bases da leitura e da escrita. Fundamenta-se em autores como Emilia Ferreiro, Lev Vygotsky e Magda Soares, que compreendem a alfabetização como um processo gradual, social e significativo. Defende-se que a Educação Infantil, ao proporcionar vivências ricas com a linguagem oral e escrita, contribui de forma decisiva para uma alfabetização mais consciente, inclusiva e respeitosa ao desenvolvimento infantil.
Palavras-chave: Educação Infantil. Alfabetização. Construção da escrita. Linguagem.
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1. Introdução
A alfabetização é um dos processos mais significativos da trajetória escolar da criança e, ao mesmo tempo, um dos maiores desafios enfrentados pelos educadores. Ao longo da minha experiência como professora pedagoga e alfabetizadora, pude observar que a aprendizagem da escrita não ocorre de forma imediata ou mecânica, mas se constrói gradualmente, a partir das interações da criança com o meio social e cultural em que está inserida.
De acordo com Magda Soares (2016), alfabetizar vai além do domínio do código escrito, envolvendo também o uso social da leitura e da escrita. Nessa perspectiva, a Educação Infantil assume papel fundamental, pois é nesse espaço que a criança inicia suas primeiras aproximações com a linguagem escrita, ainda que de forma não convencional. Assim, este artigo propõe refletir sobre como a criança constrói a escrita e sobre a importância da Educação Infantil nesse processo.
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2. Como a criança constrói a escrita
A construção da escrita pela criança ocorre a partir das hipóteses que ela elabora sobre o funcionamento do sistema de escrita alfabética. Emilia Ferreiro e Ana Teberosky (1999) demonstram que a criança pensa sobre a escrita antes mesmo de ser formalmente alfabetizada, passando por diferentes níveis de conceitualização, nos quais testa, erra, reformula e avança em suas compreensões.
Essas produções iniciais — muitas vezes vistas como rabiscos, desenhos ou “erros” — representam tentativas legítimas da criança de atribuir sentido à escrita. Ferreiro (2001) ressalta que esses registros revelam o pensamento infantil e devem ser valorizados pelo professor como parte essencial do processo de aprendizagem.
Na prática pedagógica, reconhecer essas hipóteses e propor situações desafiadoras, sem antecipar ou mecanizar a alfabetização, contribui para que a criança avance com mais segurança, autonomia e interesse pela escrita.
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3. A Educação Infantil como base do processo de alfabetização
A Educação Infantil não tem como finalidade a alfabetização formal, mas a criação de condições para que a criança desenvolva habilidades cognitivas, sociais e linguísticas necessárias à aprendizagem da leitura e da escrita. Conforme a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017), é nessa etapa que se ampliam as experiências com a linguagem oral, os gestos, os sons, as narrativas e os diferentes gêneros textuais.
Sob a perspectiva histórico-cultural de Lev Vygotsky (1998), o desenvolvimento da criança ocorre por meio das interações sociais. Dessa forma, quando a criança participa de situações significativas de leitura, escuta histórias, brinca com palavras, rimas e cantigas, ela internaliza práticas sociais de linguagem que serão fundamentais para a alfabetização.
Autores como Kramer (2006) reforçam que a Educação Infantil deve garantir experiências que respeitem a infância, sem antecipar conteúdos formais, mas promovendo o contato com a cultura escrita de forma lúdica, prazerosa e contextualizada. Assim, a criança compreende que a escrita tem função social e sentido no cotidiano.
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4. Considerações finais
A partir da experiência vivenciada ao longo da minha atuação como educadora, aliada às contribuições teóricas apresentadas, reafirma-se que a alfabetização é um processo contínuo, que se inicia muito antes do ingresso no Ensino Fundamental. A Educação Infantil desempenha papel essencial ao oferecer vivências significativas com a linguagem, respeitando o tempo, as singularidades e as hipóteses das crianças.
Valorizar esse percurso, reconhecer a criança como sujeito ativo do seu aprendizado e compreender a Educação Infantil como base da alfabetização são ações indispensáveis para uma prática pedagógica mais humanizada, inclusiva e comprometida com o desenvolvimento integral da criança.
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Referências
• BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.
• FERREIRO, Emilia; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artmed, 1999.
• FERREIRO, Emilia. Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: Cortez, 2001.
• KRAMER, Sonia. A infância e sua singularidade. São Paulo: Cortez, 2006.
• SOARES, Magda. Alfabetização e letramento. São Paulo: Contexto, 2016.
• VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
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